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Sinal preocupante para a NBA junho 9, 2007

Posted by Adriano Albuquerque in Finais, LeBron James, Tim Duncan, TV.
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Eu apurei, escrevi e publiquei a matéria sobre essas Finais entre Cleveland e San Antonio serem boas para a televisão americana, mas a evidência foi contrária: o primeiro jogo das Finais foi o de pior audiência de todos os primeiros jogos de Finais da NBA em horário nobre nos Estados Unidos.

Há muitas desculpas que podem ser dadas. Uma, a ABC, canal que transmite a decisão lá, não deve ter feito um bom trabalho na divulgação da partida; já aconteceu antes, com a emissora passando mais comerciais de outros esportes como Nascar no horário nobre do que de decisões anteriores da NBA. Outra é que San Antonio é um mercado pequeno da NBA, e Cleveland também não é dos maiores mercados dos Estados Unidos. Além disso, o jogo foi chato, amarrado, como eu sabia que seria. Quem esperava que fosse ser mais aberto que um Detroit x San Antonio claramente não viu o Cavs jogar durante este ano: um time que se fecha atrás e raramente sai em velocidade para o contra-ataque, sempre controlando minuciosamente sua posse de bola.

Mas não importam as desculpas. Apesar de tudo isso, a mera presença de superastros como LeBron James e Tim Duncan já deveria ser o suficiente para garantir uma boa audiência, e claramente não é mais. O interesse americano pode aumentar com o decorrer da série, mas o fato de o primeiro jogo de Finais da carreira de LeBron atrair apenas 11% dos telespectadores americanos indica que 1- A NBA realmente está em plena decadência no interesse dos americanos, e 2- James talvez não seja o megaastro que se apregoa por aí. Afinal, mesmo a final entre Miami Heat e Dallas Mavericks do ano passado, com alguns superastros, seria considerada um pouco menos intrigante do que a de agora, que coloca dois ícones da NBA (James e Duncan) em oposição, e mesmo assim ela teve uma audiência levemente superior.

Conforme os dados que coloquei na matéria sobre as audiências (minha fonte foi a Wikipédia), entre 1982 e 2002, nenhuma final da NBA teve menos de 10 pontos de audiência de média, e se você analisar só a década de 90 – que teve suas finais entre mercados fracos em 90, com Detroit x Portland, e 95, com Houston x Orlando – nenhuma foi inferior a 12 pontos – descontando Spurs x Knicks em 99, um 11,3 que tem de levar em consideração o desinteresse criado com a greve dos jogadores que durou quase meia temporada.

Talvez tenha a ver com as personalidades de Duncan e James. Duncan já é conhecido por sua falta de expressão, seu rosto quase imutável (já apelidado pelo Rubens de “Robot”). James é um jogador que faz coisas extraordinárias em quadra e possui uma capacidade atlética incomum, mas é difícil de se identificar com ele. Um garoto que desde os 16 anos de idade já era bajulado por todas as autoridades do basquete do mundo, que raramente teve de superar grandes obstáculos e dúvidas, que desde cedo recebeu muita atenção da mídia e contratos multimilionários de patrocínio. Ele se porta como já se fosse um ícone global (ele mesmo disse que era isso em uma entrevista durante esta temporada), mas tudo o que diz e faz parece ser treinado. Sua emoção em quadra às vezes parece um pouco artificial – aquelas caras de mau que ele faz após algumas enterradas e boas jogadas – e seu senso de humor também não é lá dos melhores.

Dwyane Wade tem o sorriso e teve de passar por várias provações (veio de uma universidade relativamente pequena, caiu para quinto no draft, ficou à sombra de James e Anthony); Carmelo Anthony, com todas as suas falhas e ligação ao gueto e às ruas, parece um pouco mais real e humano; Shaquille O’Neal sempre foi bajulado e é um sujeito enorme, mas seu senso de humor sempre conquistou a torcida; Kobe Bryant é tão polêmico e genuinamente competitivo que atrai a atenção; Michael Jordan também tinha aquele ímpeto competitivo maníaco, falava sujo, tinha o senso de humor e o sorriso e passou por várias provações (ser cortado do time de colegial, ser passado no draft por Hakeem Olajuwon e Sam Bowie). Talvez falte a James ainda uma capacidade de cativar o espectador além de seu basquete. Não sei, estou teorizando.

A liga vem tentando passar a imagem de que estamos numa nova era de ouro, com novos megaastros e maior competitividade, mas aparentemente, é uma ilusão. O apelo de suas estrelas parece ter diminuído consideravelmente nos EUA e a NBA é mais assistida fora de seu próprio país do que nele. Será? É algo a se pensar, a não ser que a audiência dê um salto e demonstre que realmente ainda existe esse mega-interesse.

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